Impressões de um visitante romeno em São Paulo.
Quando se fala na Romênia, a primeira coisa que nos vem à cabeça é... um vazio absoluto. Embora o país europeu faça parte da comunidade de nações cujo idioma oficial tenha o latim como língua-mãe – a exemplo da nossa língua portuguesa, do espanhol, do francês ou do italiano – aqui no Brasil, sabemos muito pouco sobre a Romênia.
Primeiro aos fatos: a Romênia está localizada na parte sudeste da Europa, vizinha de outros países tão desconhecidos e misteriosos como a Moldávia ou a Ucrânia. Com um território pouco maior do que o do estado de São Paulo, a Romênia tem 22 milhões de habitantes e uma longa história de conquistas, ocupações e lutas pela liberdade que datam dos tempos mais remotos da civilização.
Pois foi um habitante desse país desconhecido que pousou no Brasil no dia 16 de junho para duas semanas de trabalho e observação na unidade Hanna de São Paulo. Marginean Ioan Dan tem 25 anos e um diploma de engenheiro químico pela Babes-Bolyai University, um importante centro de estudos localizado na região conhecida como Transilvânia (agora, sim, a Romênia começa a nos parecer um pouco mais familiar).
Com essa qualificação, Dan foi contratado, no começo deste ano, para trabalhar no departamento de R&D (Pesquisa e Desenvolvimento) da unidade Hanna da Romênia. Logo nas primeiras semanas no novo emprego, o grupo de oito jovens profissionais recebeu a missão de visitar filiais da Hanna em países tão distantes e exóticos – para eles - quanto a Tailândia, a África do Sul, o Vietnã e o Brasil, entre outros.
A Dan coube o Brasil, fato que ele comemorou discretamente para não melindrar os colegas que não escondiam seu desejo de conhecer nosso país. Durante a semana que esteve visitando a unidade de São Paulo, Dan falou sobre sua missão profissional e sua primeira experiência no Brasil.
A primeira pergunta que fizemos foi sobre a expectativa do jovem profissional antes da partida para o Brasil. Ele disse que em seu país natal, o Brasil é muito conhecido pelo futebol, pelo café e pelas mulheres bonitas. “Só isso?”. “Bem fora isso, devo confessar que o Brasil é um lugar completamente desconhecido entre nós”.
Com o jogo empatado, perguntamos se ele havia pesquisado alguma coisa em livros ou na internet sobre o nosso pais antes de vir. “Sim, claro. Entrei no Google e confirmei que aqui é realmente um país de mulheres bonitas!”. Ok, essa ele venceu.
Passamos então a falar sobre o impacto que deve ter tido ao desembarcar em São Paulo. “O que mais o impressionou?”
“Bem, eu fiquei realmente surpreso com a quantidade de carros que existem nas ruas. Eu já sabia que São Paulo era uma grande metrópole, com uma grande população, mas as ruas têm mesmo muitos carros.”
“Como as pessoas reagem quando você diz que veio da Transilvânia?”
“Muitos pensam que esse lugar não existe de verdade, que é um reino de ficção por causa do Conde Drácula. Mas a Transilvânia é real. Está no mapa da Romênia. É o lugar que eu chamo de lar.”
Sobre sua convivência com a equipe de Hanna São Paulo, Dan é extremamente gentil e se mostra encantado pela receptividade, descontração e calor humano que encontrou junto aos colegas brasileiros.
“As coisas não podiam ter sido melhores. Estou me sentindo completamente à vontade, como se estivesse em minha própria casa. E embora tenha alguma dificuldade de comunicação por causa da barreira do idioma, meus colegas brasileiros me receberam com muito carinho. As pessoas aqui são ‘very friendly’”. Dan fala um bom inglês e este foi seu idioma para interagir com a equipe brasileira.
Quisemos saber algo mais sobre seu trabalho na planta industrial de Hanna na Romênia. O jovem engenheiro nos contou que trabalha com a equipe jovem e dinâmica na pesquisa e desenvolvimento de novas soluções e que procura ter em mente, o tempo todo, a busca pelas pequenas coisas que podem estabelecer o diferencial dos produtos Hanna em comparação com a concorrência. “As pequenas coisas que geram as grandes soluções”. O trabalho de sua equipe é antecipar o que está por vir, conferindo um toque de genialidade e de inovação em tudo que faz.
A Romênia faz parte da União Europeia desde janeiro de 2007 e continua trabalhando para se manter no grupo das nações que mais crescem no mundo industrializado. O resultado deste trabalho se faz perceber com os números de sua produção industrial – surpreendentes 8% como média nos últimos anos - e do consequente aumento da qualidade de vida para os cidadãos. Nesse ritmo, Brasil e Romênia têm mais uma coisa em comum, além da origem de seus idiomas. Ambos são países que deixaram para trás os tempos difíceis e agora vivem um período de franco desenvolvimento. Além disso, conseguem manter o ritmo do crescimento apesar de todas as turbulências da economia mundial registradas nos últimos meses.
“Você aprendeu alguma palavra em português, Dan?”
“Of course... Aprendi algumas palavras de que nunca mais vou me esquecer.” E pronuncia, em português quase sem sotaque, três palavras muito brasileiras: churrasco, caipirinha e saudade.