Produção de vinho ganha mais espaço no Vale do São Francisco

Qui, 19 de Abril de 2007

Com clima semi-árido, a região é o segundo maior pólo vinícola de todo o País

Caracterizada pela produção em ambientes temperados e até subtropicais, a viticultura desenvolve-se de forma crescente e mais destacável em pleno Sertão Nordestino, conhecido pelo seu clima semi-árido. Considerado um “oasis” no setor vinícola, o Vale do São Francisco desponta como uma nova fronteira internacional na produção de vinhos finos no Brasil. Com 800 hectares de uvas viníferas, a região já é responsável por 30% da produção nacional. Das vinícolas instaladas na região, boa parte está localizada nos estados de Pernambuco e Bahia.

Em apenas duas décadas de atividade, o Vale do São Francisco transformou-se no segundo maior pólo de vinhos do País, atrás apenas do Rio Grande do Sul. Produzindo cerca de 12 milhões de litros de vinhos finos, os produtores da região faturam R$ 30 milhões por ano e gera 2,4 mil empregos. Segundo o engenheiro agrônomo chileno Crístian Sepúlveda, outro diferencial do pólo é o fato de ser a única região no mundo que tem a capacidade de produzir mais de uma safra de uva por ano, sendo o único lugar do mundo a registrar todos os estágios de desenvolvimento da videira, desde o plantio até a colheita na mesma época. De acordo com ele, quando comenta em seu país que no Nordeste brasileiro há duas safras e meia por ano de uva ninguém acredita. A umidade relativa (entre 45% e 60%), a temperatura média elevada (entre 28 e 30 graus), e a grande disponibilidade de água para irrigação, provindas do rio São Francisco, são os fatores que permitem o fenômeno. Outro fator que contribui para a produção de uvas na região é a pouca quantidade de chuvas durante o ano (que varia entre 400 e 500 mm anuais,), o que evita problemas na colheita, como azedar o sabor do produto e rachaduras.

Após a análise dos enólogos de renome internacional Jancis Robson, da Inglaterra, e Michel Rolland, da França, destacaram o local com condições únicas de produção de vinhos em todo mundo. “Esses especialistas atribuíram ao Vale do São Francisco condições de produzir 2,5 safras de uva por ano, graças às suas características climáticas e de solo”, revela Alexandre Miolo, diretor-comercial da produtora de vinhos gaúcha Miolo para o Nordeste.

Com o reconhecimento no setor de viticultura, o Vale do São Francisco tornou-se mundialmente conhecida, atraindo investimentos de produtores, que contaram com o apoio do governo. Em Pernambuco, o Estado destinou em parceria com a iniciativa privada mais de R$ 30 milhões na construção de uma rodovia de 72 km entre os municípios de Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, áreas de produção vinícola. Na Bahia, o governo local oferece um incentivo fiscal de até 80% na redução do ICMS para as vinícolas.

Investimento sulista

Um dos grandes produtores vinicultores que instalou-se na região foi a Miolo, primeira vinícola gaúcha a investir na região, adquirindo na cidade baiana de Casa Nova (a 550 km de Salvador) em 2000 a Fazenda Ouro Verde, que conta com 700 hectares, pelos quais 200 hectares apresentam o cultivo de vinhedos. De acordo com a empresa, essa área será duplicada até 2012 e vai produzir 7,5 milhões de litros de vinho destinado para os mercados nacional e internacional. Em 2003, a Miolo produziu 730 mil litros e no ano seguinte ampliou esse índice para 1 milhão de litros. Em 2005, a produção chegou a 1,5 milhão de litros de vinho, o que demonstra a aprovação dos consumidores brasileiros e estrangeiros. Atualmente, 16% do total fabricado na região é exportado para países como França, República Tcheca, Alemanha e Estados Unidos. A região responde por cerca de 10% das vendas externas da empresa e os artigos mais requisitados são o Shiraz, enviado para os Estados Unidos, e o Late Harvest, bastante consumido na República Tcheca.

Na Fazenda Ouro Verde, a Miolo produz cinco vinhos da linha Terranova, que são o Terranova Muskadel (branco), Terranova Espumante Moscatel, Late Harvest (bancada), Terranova Shiraz (tinto seco) e Terranova Cabernet Sauvignon Shiraz. A linha já acumula 40 premiações nacionais e em países como Itália, França, Eslovênia, Argentina, Inglaterra, Estados Unidos e China.

Produtos especializados

A Hanna Instruments desenvolveu uma variedade de produtos ideais para a análise na produção de vinicultura. Entre eles, o Fotômetro para Ferro HI 83741 é uma ferramenta que pode ser utilizada pelo enólogo afim de evitar possíveis mudanças de coloração por possíveis quedas de ferro ou oxidação do vinho. Composto por uma lâmpada de tungstênio com um filtro de interferências de banda estreita de 560 nm, o medidor apresenta uma mostra do produto a ser analisado, que fica com cor violeta, devido à reação entre o ferro e os reativos.

HI 83749

Um fotômetro desenvolvido especialmente para vinhos bastante recomendável nesse segmento é o Medidor de Turvação e Bentonita HI 83749. O equipamento possui um sensor de fotocélula de silício e mede a turvação do produto em unidades nefelométricas de turvação (UNT) de forma rápida e sensível. Pode também realizar um teste para verificar a estabilidade dos vinhos, bem como um ensaio das doses de bentonita, que é uma argila de granulação muito fina e composta por minerais, sendo um agente que permite rápida ação clarificante ao vinho, proporcionando maior estabilidade, melhor limpeza, produtos mais saborosos e aromáticos.. Bastante útil para medir o nível de limpeza dos vinhos, o HI 83749 pode permitir o reconhecimento do efeito das diferentes clareações e filtragem, além de ser vital para manter o nível determinado de turvação para evitar problemas durante a fermentação.

HI 84102

Para medir a acidez total de mostos e vinhos, uma boa indicação é o Mini-titulador de Acidez Total HI 84102. Automático e fácil de usar, o aparelho serve para medir a acidez total em cerca de 45 segundos e pode estabelecer o ponto final em um pH entre 7 e 8,2. Como oxímetro, o equipamento recomendado é o Medidor de Oxigênio Dissolvido HI 9143W. Portátil, o instrumento é acoplado de uma sonda, que permite realizar análises em vinhos já engarrafados. O aparelho compensa de forma automática a temperatura, altitude, salinidade e umidade do produto, o que garante a exatidão da leitura da análise.

HI 9026

Outro medidor voltado para o setor vinícola é o Phmetro Portátil Impermeável HI 9026, que apresenta um termômetro profissional e portátil para enólogos. O equipamento permite acertar o pH a 3, o que elimina erros de calibração. Compensa também de forma automática a temperatura e apresenta seu valor no visor em ºC. A determinação do pH em mostos e vinhos é fundamental pela influência direta na estabilidade do produto, na fermentação maloática, no sabor ácido e na cor. Por permanecer em um pH baixo, o vinho pode tem como vantagens o aumento de suas propriedades antimicrobianas e antioxidantes, o que protege o vinho de turvação.

Potencial do Vale

Maior que França e Portugal juntos, o Vale do São Francisco abrange os estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, além do Distrito Federal, em um total de 503 municípios. Sua extensão é de aproximadamente 640 mil km2, com população superior a 16 milhões de pessoas. A região abriga o Rio São Francisco, o maior rio genuinamente brasileiro (seu leito compreende apenas o território nacional). O rio tem um comprimento de 2,7 km (superior ao Rio Danúbio, com 2.775 km e mais do dobro do tamanho do Rio Reno, que tem 1,2 mil km), com volume de água de quase 3 mil m³ por segundo – índice superior ao do Rio Nilo, que possui 2,8 m³ por segundo.

A disponibilidade hídrica total da região Nordeste é de 97,3 bilhões de m³/ano, sendo 92,9 bilhões oriundos de águas superficiais e, desses, 87,4 bilhões devidos a rios perenes. O São Francisco, com uma disponibilidade de 64,4 bilhões de m³/anuais, responde por 69% da disponibilidade de águas superficiais e por 73% da disponibilidade superficial garantida do Nordeste.

Além do potencial de culturas agrícolas, como a viticultura, o Vale do São Francisco também recebe investimentos na área de turismo, por parte dos governos estaduais da região, apresentando como atrativo as belezas naturais e aspectos culturais em cada estado, como artesanato, gastronomia e festas folclóricas.

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